Roçar
Bolinha está no trem, de cochilo, bom assim que a gente pode falar dele, baixinho, pra não despertar. Bolinha tem uma dúvida, talvez a maior, ou melhor, talvez maior que o amor. o porque da escolha, do como fazer.
por partes… vou sussurrar no ouvido, pois dizem que no sono se pode aprender, e assim, de manso, talvez ele guarde alguma coisa que preste nessa sua cabeça dura, então … o ato de querer alguma coisa é o mesmo que deixar de querer todas as outras do gênero, mais do que isso é angústia.
Bolinha tem um querer em mente e se pergunta, será? ela não usa saia como gosta e ele se pergunta, será? ela não conta piadas o tempo todo e ele se pergunta, será? ela não faz bola de chiclete e ele se pergunta, será? os amigos acham que não, os nem tanto acham que sim, o problema é que quando contamos algo, o nosso egoísmo só enxerga o nosso ponto de vista das relações conflitas, e os queridos amigos querem mesmo é nos defender. mania boa.
Bolinha gosta de filmes, pois neles existe sempre encontros inesperados e combinações mágicas que os românticos que os escrevem, sonhavam acontecer nas vidas próprias, pra querer um enfim, viverem felizes para sempre. mas esse encontro foi assim não, pra começar quem quis primeiro foi a moça, por estranho que seja foi, e ele não soube o que fazer, ele dúvida, ela querer.
Bolinha quer demais e por demais perde por isso. já falei até mas não me escuta, gosta de fazer cara de bravo e passar pra frente o não. vai gostar. tá ficando velho, cansei de avisar.
Bolinha não se perdoa, inventa motivos, foge do enfrentamento, pois escolher amar é como escolher um lugar, é escolher deixar de estar em tantos outros pra nesse pisar forte, ser real aqui. parar de fazer turismo, criar raiz. ser encontro. meu medo é achar que o tempo dele tá que passa rápido, e de longe vejo, vejo o trem da vida passar trilhos e trilhos e esse roteiro escrito a lápis, mudar a cada estação.
pensando bem vou falar bem alto, quem sabe assim Bolinha acorda:
O AMOR É A SOMA DE TUDO. DE TUDO QUE FIZEMOS, DE TUDO QUE GOSTAMOS, SENTIMOS E QUEREMOS. E SE SOMAR OS DOIS LADOS E AINDA QUERER. ACREDITE NA VONTADE!
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[ Leonardo Avelar ]